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O que uma menina de 13 anos tem a ensinar sobre tempo para Pais e Mães?


Estive na cidade de Dourados-MS este mês para uma palestra e conheci a Vitória, uma menina de 13 anos que é simplesmente uma leitora como poucas pessoas que conheço. Só que em um País como o nosso que conhecimento acaba criando uma “casta”, ela sofreu até bullying por ler tanto.

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Provavelmente ela já leu mais livros em 13 anos que a maioria dos Brasileiros, que infelizmente só leem espontaneamente apenas um livro por ano.

Agora o que faz isso acontecer? Com certeza as razões são diversas e além da minha competência de tentar explicar. Mas uma eu posso falar: o tempo dos pais para os filhos.

Se os pais não estimulam a criança com histórias para dormir, se a criança não vê os pais lendo, se não tem livros em casa, você não cria o modelo mental da leitura. Pais sem tempo de ser pais não tem tempo de criar a leitura na casa.

Quer filhos que leiam e que tomem suas próprias decisões? Comece a arrumar tempo para ler e para despertar em seus filhos a paixão pela leitura. Tempo é a base da leitura.

Eu pedi para a Vitória, me escrever uma redação sobre como ela usou o tempo dela de ler. Abaixo segue o texto na íntegra, sem revisões, corte ou comentários. Esse texto fala por si só. Que tal tirar um tempo para ler?

 

Como ocupei meu tempo para gostar de ler

Meu nome é Vitória e eu amo ler. Tenho treze anos e comecei a gostar de historias aos dois, quando minha tia Heloisa e meu tio Noé me presentearam com uma coleção de contos clássicos, livrinhos que meus pais e tios liam toda noite para mim. Sem duvidas aquele foi o melhor presente que já ganhei! A partir daí ganhava de presente livros de todos meus familiares. Cada dia (noite, para ser mais exata) me encantava mais com aquele mundo de fadas e bruxas, príncipes e princesas, e todas aquelas fantasias. Então cheguei à idade de ir à escola. Estava mais que ansiosa para aprender a ler sozinha e ter como devorar livros sem ter que ficar incomodando meus pais com “tonta um historinha pra mim?” “tonta mais uma historinha pra mim?” E enfim chegou o dia de começar a juntar as letrinhas. Nessa idade já tinha minha pequena coleção de livrinhos, era ver aquelas coleções que já fazia carinha de cachorro que caiu da mudança para meus pais. Então com sete anos já lia melhor e li minha primeira coleção de verdade, Harry Potter. O menino que sobreviveu me encantou desde o primeiro livro.

Com nove anos veio a mudança de escola, com essa idade eu realmente devorava os livros, já havia terminado a saga do testa rachada lia Percy Jackson e quantos outros ganhasse, onde ia levava um livro. Mas a nova sala não foi receptiva. Por gostar tanto de livros me achavam estranha, e por assistir jornal e estar sempre querendo usar palavras novas, me chamavam de doida. Não tinha amigos. Meus pais me ajudavam, mas prefira não contar muito, pois já tinham problemas demais. Então comecei a me agarrar cada vez mais aos livros. Qualquer momento livre eu lia. Neles ninguém poderia me magoar, eu viajava e me sentia imensamente feliz. Mas não deixei de sofrer com as ofensas. Até que três meninas muito especiais entraram na minha vida. Gabriele, Vitoria e Maria Eduarda se tornaram minhas amigas. As melhores que poderia pedir. Continuei louca por livros. E enquanto mais lia mais aprendia, eles me ajudaram a parar de me entristecer pelos comentários, que passei a ignorar. Já no sétimo ano não me via mais estudando naquela sala. Lembrei-me de uma lição aprendida em minhas historias preferidas, para mudar o mundo mude você mesmo.

Então mudei, mudei de turma, de postura, de rotina. Essa foi minha melhor escolha. Conheci novas pessoas, fiz amigos que me ajudaram a melhorar como Keli e Laura, achei pessoas que também gostavam de ler, mas nunca me esqueci dos velhos amigos. Leio os novos como se fosse sempre o meu primeiro livro, abro novamente os antigos. Pois o maior favor que se pode fazer a um livro é lê-lo. E o faço a qualquer hora ou lugar. Hoje o Importante da minha vida são meus livros.

Vitória Jacques Barrera de Almeida