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Por que não tomamos decisões?


Nosso governo é o melhor exemplo do impacto que a falta de uma eficiente tomada de decisão gera. Em 2001, o então deputado Luiz Antônio Fleury, apresentou uma proposta que tratava de estabelecer votação aberta nos três níveis do legislativo. Depois de uma série de tramitações, falta de decisões e empurra com a barriga, a câmara dos deputados aprovou por unanimidade (que incrível né?) essa proposta. Agora falta passar pelo Senado. Estamos falando de mais de 12 anos para uma decisão tão importante ser tomada. Se não fosse isso casos como o do deputado “cara de aço”, Natan Donadon não estariam nem sendo discutidos.

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Só que essa cultura não é só privilégio do governo, empresas de todos os tamanhos, também sofrem do mesmo mal. São assuntos que se arrastam por reuniões intermináveis. Decisões que são “compartilhadas” até que ninguém mais é dono e fica por isso mesmo e assim por diante.

Existem vários fatores que empacam as decisões, mas alguns são bem típicos:

1 – Falta de autonomia para decidir

Tem líder, empresa ou processo que simplesmente não dá autonomia necessária para que as pessoas tomem as próprias decisões. Isso pode ser para controlar risco, para gerenciar mais de perto processos ou pelo simples fato de um “ego grande”. Alguns líderes não conseguem conviver com a ideia de que alguém tome a decisão por eles, mas é claro que isso não acontece em nenhum lugar que você conhece.

2 – Falta de coragem para decidir

Algumas pessoas tem a autonomia para tomar a decisão, mas não conseguem ter coragem de decidir por si próprios. Preferem chamar outras pessoas para compartilhar a decisão, o que não é de todo ruim, porém isso na maior parte dos casos acaba se arrastando por muito tempo.

3 – Excesso de opções

Quanto mais opções, informações e conteúdo, mais difícil de decidir. Se você quer fazer a reforma da sua casa e pede para seis empresas fazerem orçamento, a sua decisão vai ser muito mais demorada do que se você fizesse apenas três orçamentos. Quanto mais opções, mais dúvidas geramos. Por isso, limitar suas opções é um fator de extremo bom senso para a decisão acontecer.

4 – Necessidade de brilho pessoal

Algumas decisões não são tomadas, pelo simples fato de que o cara que poderia decidir, prefere que todo mundo pense no assunto, bata a cabeça, faça um monte de reuniões, levantamentos, gaste muito tempo e dinheiro. Até que chega um belo dia que o “super decisor” aparece com a decisão mágica, que ele provavelmente já sabia desde o primeiro minuto. Já presenciou algum acontecimento como esse?

5 – Falta da gestão de “milestones”

Muitas decisões não são tomadas, porque as pessoas simplesmente esquecem que precisavam tomar. Você, por exemplo, pede cotação de preço de alguma coisa, vai recebendo as propostas por email ao longo dos dias e vai tocando a vida. Muita gente se esquece do que tinha pedido, como não tinha nenhuma “urgência”, vai arrastando o assunto e a decisão não é feita. Colocar uma tarefa de quando deve ser a decisão ajuda a limitar o tempo e por consequência realizar a decisão.

6 – Preguiça

E por último, mas não menos incomum, temos a famosa preguiça Vamos deixando. E em muitos casos a decisão não é tomada. Só que não tomar nenhuma decisão, já é uma decisão: a de negligenciar. Coisa que infelizmente nosso País está meio de saco cheio, não é verdade?