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Sonhos – Protagonista ou Coadjuvante?


 

Você já parou para pensar se os planos feitos por você, de forma individual ou coletiva, foram concretizados (ou não) e por quê?

 

Não me refiro aos desejos e sonhos secretos que a gente só abre para um certo alguém e mais ninguém, mas sim aos que compartilhamos na esperança de termos apoio dos mais próximos ou, pelo menos, de não haver interferência negativa por sabermos que, apesar de nossos, podem de alguma forma afetar aos demais.

 

Exemplos:

 

  • Sair de um emprego para empreender
  • Mudar de cidade/país a trabalho
  • Mudar de emprego para segui seu sonho.
  • Mudar de profissão
  • Mudar a dieta alimentar
  • Desejar ou não ter um filho, biológico ou adotivo
  • Adotar o home office como modo de trabalho
  • Casar
  • Separar
  • Emagrecer

 

Quando planejamos algo, por mais individual que seja (como nos exemplos acima), de alguma forma sempre afetamos os nossos próximos. Principalmente se for próximo a ponto de dividir o teto ou convivência conosco.

 

Eu mesma já passei por pelo menos 3 situações dentre as citadas acima. Mudar de profissão e adotar o home office fui a protagonista; Na mudança de emprego para seguir o sonho, exerci o papel de coadjuvante.

 

Por isso, senti na pele o quanto nossas decisões interferem na vida dos que convivem conosco. Quando larguei o Jornalismo para ser Personal Organizer, estava casada há pouco tempo, grávida, em um mau momento profissional e precisei parar de trabalhar para me dedicar a essa descoberta profissional com o auxílio de coaching. Nem preciso dizer o quanto receber apoio emocional e financeiro dos meus familiares foi fundamental, né?

 

O mesmo vale para o home office. Nesse momento, minha filha Sophie, hoje com quase 3 anos, tinha poucos meses e assumir essa escolha de forma planejada também necessitou de apoio (mesmo já tendo essa rotina profissional anos antes por outras circunstâncias).

 

Mas quanto as decisões alheias interferem na nossa vida?

 

Meu esposo sempre quis trocar de emprego em busca do seu sonho. A oportunidade chegou no começo de 2016, e assim ele fez. Até a concretização, de fato, quantas vezes eu não demonstrei insegurança com essa necessidade dele? Quando ela finalmente se deu, houve mudanças na nossa rotina pois ele precisava sair mais cedo para ir ao trabalho e eu tive o impacto de reestruturar a minha rotina matinal e a da Sophie para a nova situação. Recentemente, por uma necessidade minha, também precisamos mexer na rotina matinal de todos e desta vez o mais impactado foi ele.

 

Dei esses exemplos pessoais para mostrar o quanto a comunicação e alinhamento de expectativas interferem na produtividade da execução dos nossos planos e como devemos estar sempre atentos às necessidades e desejos do outro diante das NOSSOS planos. Lembrando que não estou dizendo para abrir mão de um sonho por causa de outrem, apenas despertando a consciência de que os que fazem parte da nossa vida não podem ser excluídos deste sonho e apenas com negociação que é possível solucionar os impasses.

 

Sem cobranças sobre si ou sobre o outro, com ideias como “eu desisti por sua causa”. Ao invés disso, lembre que “eu desisti porque levei em conta tais motivos que Fulano me apresentou”. O sonho sendo SEU, a responsabilidade sobre a execução, adaptação ou desistência dele é SUA. Afinal, quem é o único responsável pelas SUAS DECISÕES?

 

Da mesma forma, tenha clareza do quanto um posicionamento seu, muitas vezes vindo da própria experiência, pode afetar os sonhos de outrem. Também aqui vale não se cobrar.

 

UMA HISTÓRIA RÁPIDA

 

Quando uma amiga resolveu casar, eu a questionei se pontos como “desejo por filhos”, “condições de trabalho” e “manutenção da casa” estavam alinhadas com o futuro esposo. Ela me questionou se eu a estava induzindo ao término. Eu apenas disse que não, pois se fosse da escolha dela fazer isso, seria responsabilidade dela e não uma imposição minha sobre a sua vida. Eu apenas estava querendo ajudar. Na época eu tinha essa clareza por estar casada há pouco tempo e ter feito exatamente o que sugeri a ela. Ela casou e hoje tem um lindo bebê, meu sobrinho. 

 

Há também situações que, por já termos passado, dizemos não ser possível, etc e tal e colocamos várias oposições aos sonhos alheios. Isso também não é legal, pois o sonho não é seu e por isso mesmo devemos ter o cuidado de não projetar nosso fracasso. O fato de termos uma experiência negativa não determina que o outro também vá ter. Cada um tem a sua história.

 

Quando eu tinha por volta de 16 anos e comentei meu desejo pelo Jornalismo, uma conhecida projetou em mim todas as suas frustrações. Apesar de nova, não me abati, cursei Jornalismo e fiz uma carreira que se encerrou em 2013. Hoje, caso alguém me pergunte sobre a profissão, passarei minha experiência de forma positiva, mesmo tendo desistido, pois não quero fazer com outro o que me fizeram. Eu não desisti, mas poderia tê-lo feito; portanto não quero destruir o sonho de ninguém.

 

Fica aqui a proposta de reflexão. Por mais que tenhamos SONHOS e PLANOS, devemos ter o cuidado de incluir neles aqueles que são realmente importantes na nossa vida e de ser responsável pelas nossas escolhas diante das demandas alheias.

 

Além disso, respeitar os sonhos e planos de outrem é fundamental. Ainda que algumas vezes, por experiência própria, seja capaz de antever o resultado, é importante não impedir ninguém de sonhar. Afinal, somos ao mesmo tempo protagonistas e coadjuvantes na nossa história e na de quem amamos e, como nos roteiros, não devemos esquecer que em cada história temos uma função e devemos respeitá-la e honrá-la, buscando sempre ajudar cada um a escrever o seu próprio roteiro. 

 

 

Joana D'arc Souza - Consultora e Coach de Organização Pessoal

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