Jornada de Trabalho de brasileiro é a menor da América Latina

            Uma pesquisa promovida pela ABRH-Nacional sobre relações de trabalho na América Latina revela que a jornada de trabalho, no Brasil, é mais favorável ao trabalhador em vários aspectos. Segundo o levantamento, que considerou também dados relativos à Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador e Nicarágua, o Brasil só perde quando se avalia o trabalho noturno:brazil

            “No Brasil, apenas aqueles trabalhadores que atuam entre 22h e 5h da manhã trabalham em horário noturno, sendo que em países como o Equador, por exemplo, o trabalho noturno corresponde ao horário entre 18h e 8h da manhã”, assinala Carlos Pessoa, Vice-Presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, coordenador da pesquisa.

            O fato de apresentar menos horas de trabalho noturno por dia tem impactos na remuneração dos trabalhadores, uma vez que o trabalho nesses períodos custa mais para as empresas.

            Do ponto de vista da duração da jornada, apenas os trabalhadores do Equador trabalham menos do que os brasileiros, pois a jornada ali é de 40 horas semanais enquanto que no Brasil, Venezuela e Guatemala ela chega a 44 horas. Os dados revelam que alguns países têm legislações que admitem jornadas diferenciadas, como o Uruguai, onde os trabalhadores do comércio atuam 44 horas e os da indústria, 48 horas semanais.

Descanso – Enquanto que a maioria dos países limita seus períodos de descanso e alimentação a 30 minutos por dia, o Brasil fixa um intervalo mínimo de uma hora e um máximo de duas horas para alimentação e descanso, mas essas horas não contam como trabalho. Em países como Chile, México, Guatemala e Venezuela o horário de alimentação e descanso é de 30 minutos diários, mas este tempo é considerado como parte da jornada diária, o que é mais interessante principalmente para trabalhadores de áreas industriais e operacionais.

            Mas se a situação do trabalhador brasileiro em relação à jornada de trabalho não é tão desfavorável, é nas férias que os empregados brasileiros têm o seu grande diferencial. Segundo Pessoa, o Brasil apresenta a situação mais favorável ao trabalhador no que diz respeito às férias, pois é o único país que fixou férias iguais para todos os empregados, desde que completem um ano de casa e ainda com um adicional de 33% sobre o salário:

            “Há uma grande diversidade de tratamentos para o tema das férias na América Latina. Na Argentina, para um trabalhador ter direito a férias de 28 dias, precisa estar na empresa há pelo menos 10 anos, algo similar ao que ocorre no Paraguai. Na Bolívia, para ter direito a um mês de férias o trabalhador tem que completar, antes, 30 anos de trabalho. Essa diferença de tratamento faz das férias no restante da América Latina um fator de recompensa, ao contrário do que ocorre no Brasil”, explica Pessoa.

            De modo geral, os dados revelam que a jornada de trabalho no Brasil é uma das menores da América Latina:

            “No Brasil, trabalhamos 173 horas por ano a menos do que os argentinos e 404 horas a menos por ano do que os mexicanos, o que certamente se reflete no custo das mercadorias e no valor dos serviços prestados, reduzindo a competitividade do Brasil”, alerta Pessoa.

Este post tem 6 comentários

  1. Luciano

    Este seu artigo tem uma mensgem que não entendi.
    Qual a opinião que vc quer emitir?
    Esta mesma comparação é valida para países como Espanha, Alemanha e França?

    1. Oi Luciano,

      Esse artigo não é meu, é uma matéria da ABRH sobre a jornada de trabalho.
      Na minha opinião nossa jornada de trabalho é adequada. 40 horas é mais do que o suficiente..

  2. Aldair Carvalho

    Preocupa-me este tipo de análise.
    Onde somente está relatado o tempo de serviço e não a qualidade deste serviço.
    O que importa não é o volume de horas trabalhadas e sim a qualidade destas horas trabalhadas.
    Poderíamos estender a análise para um ponto primordial: “Qualificação do trabalhador”.
    Se me permite vou citar um exemplo.
    Há poucos anos atrás trabalhava numa empresa e o gerente um dia me perguntou como poderíamos melhorar o trabalho de nossos trabalhadores (uma vez que a maioria dos “pepinos” caia em nossas mãos).
    Eu respondi: “Treinar, treinar e treinar!!!”.
    Implantamos um programa de treinamento, fixando um mínimo de treinamento mensal ( em horas).
    Buscamos parceria com fornecedores que ofereciam pacotes de treinamentos em diferentes áreas.
    Chegamos a montar sala de treinamento e pagamos treinamento com a venda de sucatas, que eram geradas na empresa.
    Custo: deslocamento dos colaboradores e o tempo dedicado a estas horas de treinamento.
    Resultado: pessoal estimulado. Muitos dos pepinos os colaboradores resolviam a medida que ganharam habilidade em resolver conflitos.
    Mais além a empresa passou a ser cobiçada por outra de maior porte pelos resultados alcançados, foi vendida.
    A empresa que assumiu (de maior porte) detonou todo este trabalho a medida que se tornou mais burocrata para que conseguíssemos dar continuidade ao programa de treinamento. Resulatado- pessoal desistilmulado, queda de resultados…..

  3. martinho souza

    É preciso levar em conta que a jornada de trabalho no Brasil deve ser contada a partir do momento que o trabalhador sai da sua residencia pois temos um sistema viario que não permite um asseso rapido ao local de trabalho sem contar com a horas extras que o trabalhador é força isso mesmo forçado a cumpri se não ele perde o emprego se levarmos em conta isso o trabalhador Brasileiro trabalha em torno de 12 a 14 horas diarias.

  4. ROBSON M

    O IDEAL É TRABALHA SÓ SEIS HORA POR DIA .

  5. agsnneto

    Segundo a OIT, há uma tendência mundial a uma jornada de trabalho semanal de 40 horas, dado que o nível de desenvolvimento tecnológico e os ganhos de produtividade não apenas permitem essa redução como pressionam para que isto ocorra.

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